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sábado, 25 de dezembro de 2010

CONTO DE NATAL ( conto Fictício de uma noite de natal )

HOW ... HOW ... HOW...

A arvore estava repleta de bolinhas pratas. Grandes e pequeninas luzes se formavam diante de tanta beleza reluzente das bolinhas pratas ...

A casa toda decorada com cheiro de panetone e guloseimas do Natal .... Na sala de jantar uma mesa repleta de sabores e cores para ser apreciados ... e, claro, não podia faltar a tão sonhada e esperada entrada triunfal do Papai Noel com presentes para todos embrulhados em caixas brilhantemente feitas a mão ...

Os convidados começaram a chegar com tantas histórias quanto desejo de passar algumas horas saboreando as delícias que nos recebiam diante de uma mesa farta de calorias e cores...

Eram tios distantes e primos presentes, tios solteirões , tias que nao conseguiam encontrar ninguém para dar uns amassos, Amigos casados infelizes, amigos solteiros explodindo de felicidade e muita gente precisando se sentir queridos e amados com esperança entre uma fatia e outra de panetone a pessoa encantada apareceria do nada e realizaria seus desejos mais intimos e calientes....

Olhares atentos ... Muitas Poses para fotos com direito a se sentir a capa mais sexy do ano ... Sorrisos emprestados de uma noite qualquer.... Modelitos que mais parecem feitos para madrinha de casamento ... caras e bocas com efeitos para lá de Botox ... Educação priorizando a verdadeira vontade de dizer o que pensa ...... Conversas amenas e muita, mas muita vontade de fazer um desejo de natal que seria justamente o que todos queriam desesperadamente mesmo mantendo a pose de o mais feliz no ano ... Uma forma de reviver sentimentos resguardados e reprimidos... Uma forma de fazer com cada fase de sua vida tivesse valido a pena...

Vários presentes imaginários estavam rodando a árvore de natal, singelamente representada por adereços e decorações pitorescas ...

Uns desejavam encontrar um amor eterno, outros desejavam encontrar uma forma de se separar, outros desejavam desesperadamente uma forma de redescobrir o amor e outros simplesmente não desejavam nada por entender que tudo estava de acordo com as promessas que tinham feito na passagem do ano anterior...

Uns desejavam crescer o cabelo na cabeça, outros desejavam uma esposa menos invasiva, outros desejavam viver intensamente sua forma de amar sem medo de ser repreendido e outros desejavam simplesmente que não esquecessem dele quando voltar ao trabalho, pois estava de férias e o medo de não ter mais o lugar dele na empresa assolava sua mente e o fazia ficar em pânico ....

Mas convidados ainda tornam a chegar ...

E o teatro de uma noite de natal ainda estava para dar seu toque de estréia .... Cada um representando seu papel de bom moço ou da moça mais simpática do universo....

Ao sentar à mesa grandes revelações ...

Descobriu-se que o tio distante tinha um mania de não usar guardanapo, que aquela prima que raramente nos falamos tinha um dente branquíssimo ... que os sobrinhos tão amado não tinham nenhuma educação ao manusear os talheres ... que aquele cunhado tão distante com sua eterna mania de falar dos “defeitos” dos outros ( sim.. ainda tive que escutar essa palavra D E F E I T O como se fossemos uma maquina que quebra e manda para o conserto )... aquela conhecida de minha família que de tanto piscar pirigueteando todos estava até com câimbra nos olhos...

Que aquele primo que tanto tinha consideração mostrou-se um verdadeiro homem das cavernas, que aquela cunhada tão meiga e simpática se esforçava para manter todos sentados á mesa com a fraternidade que o Natal exige ... que o olhar deprimido de meu tio estava sorrindo de tanta alegria em ver todos juntos ... que o refrigerante nao era diet nem light ... que as conversas estavam para mais um conselho de administração do que uma reunião anual de familiares que só se viam uma vez ano ano...

Mas a noite ainda dava sinais de fôlego....

No living da casa ficamos aguardando o tão sonhado e esperado desejos reprimidos disfarçados de danças típicas de embalos de sábado a noite e grandes performances de tios e primas repletos de vinho de primeira linha dentro de si....

Mas eu continuava triste e sozinho dentro de mim mesmo .... A solidão me assolava também como meu tio com sua depressão ... Em embalos de piriguetes HITS estava eu só e com meus botões pensando nos desejos reprimidos que todos nós temos e que eu também tenho ....

Claro que dancei na velocidade 5 do Créu .. brinquei... e tomei alguns goros ... dançei até cansar ...

Mas depois de alguns minutos de trégua para a solidão, voltei ( pelo menos ) com a garganta rouca de tanto cantar o refrão da música que tanto me fez doer a musculatura da perna de tantos pulos acrobáticos que dei...

Mas o Papai Noel não apareceu e fiquei desolado, porque sempre canto a música ...
“.. eu pensei que todo mundo fosse filho de Papai Noel...”

Puxa eu pensava mesmo que todo mundo fosse filho de Papai Noel ....

Mas enfim, voltemos aos desejos reprimidos e triturados dentro de nós .....

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